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Cientistas nos EUA concluem
seqüenciamento genético do cão

A ESCOLHIDA - O sequenciamento
do genoma foi feito a partir do DNA da cadela Tasha, da raça
boxer
Trabalho pode ajudar no estudo
de doenças comuns ao cachorro e ao homem
Herton Escobar
Cientistas nos Estados Unidos apresentaram ontem o seqüenciamento
genético completo do cachorro. Mais do que uma simples
curiosidade genômica sobre o melhor amigo do homem,
o trabalho abre uma série de perspectivas para estudos
clínicos e evolutivos relacionados às duas espécies.
Segundo os cientistas, o cachorro é mais semelhante
ao homem geneticamente do que o camundongo, o que faz dele
um modelo ideal de pesquisa - além de ótimo
companheiro.
Praticamente todos os 19 mil genes encontrados no DNA canino
estão presentes no genoma humano. E, se algum desses
genes causa uma doença específica no cachorro,
é provável que tenha o mesmo efeito no homem.
Não é à toa que os cães sofrem
dos mesmos males que o ser humano, como câncer, doenças
cardíacas, cegueira, catarata, diabete e até
distúrbios comportamentais.
"A comparação entre
os dois genomas nos propicia uma janela muito importante para
vislumbrar nosso próprio livro de instruções
genéticas", disse o pesquisador Francis Collins,
diretor do Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humano
dos Estados Unidos. Ele citou como exemplo o transplante de
medula óssea, cuja técnica foi desenvolvida
principalmente em cachorros.
Os estudos comparativos são cruciais
para a identificação de seqüências
importantes dentro do genoma. Uma comparação
inicial entre homem e cão indica que 5,3% do genoma
humano contém elementos funcionais que foram preservados
entre as espécies ao longo da evolução.
"Os cães estão prontos
para nos ensinar novos truques", disse Eric Lander, do
Instituto Broad, em Boston, que chefiou o trabalho. Os cientistas
seqüenciaram - ou seja, puseram em ordem - 99% dos 2,5
bilhões de pares de letras químicas (A, T, C
e G) que compõem o genoma canino. A amostra usada para
o trabalho foi tirada de uma cadela boxer chamada Tasha, selecionada
pela pureza de sua linhagem.
Existem cerca de 400 raças de
cachorro, todas surgidas da domesticação do
lobo cinza asiático entre 15 mil e 100 mil anos atrás.
Apesar das enormes variações entre um pinscher
e um dog alemão, todos os cães pertencem a uma
única espécie (Canis familiaris), assim como
todos os seres humanos - africanos, chineses ou alemães
- são Homo sapiens.
Um dos grandes mistérios que
os cientistas esperam desvendar é como tantas raças
tão diferentes - em formato e comportamento - puderam
surgir de um único pacote genético em tão
pouco tempo. A resposta está inscrita no DNA dos cães
e na maneira como ele foi moldado pelas interações
com o homem e o ambiente.
Outros genomas caninos foram anunciados
nos últimos anos. Em especial, em 2003, o rascunho
genético do poodle de estimação do cientista
Craig Venter - que já havia concorrido com Collins
e Lander no seqüenciamento do genoma humano. O novo trabalho,
entretanto, é cerca de mil vezes mais refinado. O estudo
foi publicado na revista Nature.
Fonte:
VIDA& O ESTADO DE S.PAULO
8 de Dezembro de 2005
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