Natal & Ano Novo 
Home
Mensagens
O que a Bíblia diz
Flash
PowerPoint
Midis
Culinária
Links
Sobre o site
 Contato  


O VERDADEIRO SENTIDO DO NATAL

 

Estávamos quase chegando ao nosso sitio no Texas quando a tempestade começou. Os raios cortavam o céu, os trovões vociferavam por todos os lados e uma árvore veio ao chão com um barulho ensurdecedor. Quando a água desabou como um dilúvio, impedindo-nos de ver um palmo à frente do nariz, meu marido levou o carro para um lugar seguro, que parecia uma clareira no meio dos pinheiros.

Enquanto esperávamos, tive a sensação de que não chegaríamos ao sítio naquela mesma noite para os festejos da véspera de Natal com nossa familia.

Lá estávamos nós no carro, infelizes, decepcionados, quando alguém bateu em minha janela. Um homem, de lanterna em mãos, gesticulava para que o seguíssemos. Meu marido e eu amassamos barro atrás dele até sua casa.

À porta da velha casa estava uma senhora com um lampião; um menino de mais ou menos doze anos e uma garotinha estavam a seu lado. Entramos, encharcados e pingando água por todos os lados; a família se afastou para que ficássemos ao calor do fogo.

Com a inquietação de quem mora na cidade, meu marido e eu começamos a falar, explicando nossos planos. Com a serenidade das pessoas que vivem no silêncio das matas, eles ouviam.

A ponte do riacho ali adiante caiu. Teremos prazer em hospedá-los hoje a noite, disse o dono da casa. Embora tenhamos explicado que não queríamos incomodar, especialmente na véspera do Natal, a família insistiu.

Depois de conversarmos pouco mais, o homem se levantou e pegou uma Bíblia na prateleira. Na véspera do Natal, costumamos ler a história que se encontra no Evangelho de Lucas , e sem dizer mais nada, começou: E ela deu à luz o seu filho primogênito, enfaixou-o e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria...

As crianças estavam sentadas, atentas, os olhos brilhando em antecipação, enquanto o pai lia: Havia, naquela mesma região, pastores que viviam nos campos e guardavam o seu rebanho durante as vigílias da noite . Observei a expressão decidida de seu rosto; ele poderia ter sido um daqueles pastores .

Quando o homem terminou a leitura e fechou a Bíblia, as crianças se ajoelharam onde estavam. O pai e a mãe fizeram o mesmo, e sem nem pensar no que fazia, juntei-me a eles. Vi meu marido, sem nenhum acanhamento, fazer o mesmo.

Ao nos levantarmos, olhei ao redor da sala. Não havia pacotes de presentes nem cartões : apenas uma pequena árvore sem enfeites no aparador. Mas o espírito do Natal nunca me foi mais pungente.

O garoto interrompeu o silêncio: Sempre damos comida para os animais na véspera do Natal, à meia-noite. Querem vir com a gente?

O estábulo estava aquecido e permeado com o cheiro de feno e milho seco. Uma vaca e um cavalo nos deram as boas- vindas: vimos uma cabra e seu cabritinho peludo, que veio ser acarinhado. Este estábulo deve ser parecido com aquele em que Jesus nasceu, pensei. Ali estão a manjedoura e os animais carinhosos fazendo a guarda.

Ao retornarmos, encontramos um ar festivo dentro da casa; servimo-nos de bolo de frutas e suco. Mais tarde, deitamos num colchão feito de palha. Quando eu me virava em busca de uma posição confortável, as palhas faziam barulho e exalavam um cheiro parecido com o do estábulo. Meu coração respondeu: Você está dormindo num estábulo, exatamente como o menino Jesus dormiu.

À beira de um sono profundo, tive certeza de que a luz entrando pelas venezianas de pinho era a estrela brilhando naquela casa silenciosa.

Na manhã seguinte, a família toda nos acompanhou até o carro. Eu me sentia tão envolvida no espírito do Natal me oferecido por aquelas pessoas que fiquei totalmente sem palavras. De repente me lembrei dos presentes no banco de trás do carro; presentes que havíamos comprado para nossa família.

Comecei a distribuí-los. As meias de lã cinza de meu marido foram para o homem. O suéter vermelho que comprei para minha irmã foi entregue à mulher. Entreguei também duas caixas de doces, um par de luvas brancas e uma de couro, enquanto meu marido dava sinal de sua aprovação.

Quando eu já estava sem fôlego de tanto pegar pacotes de dentro do carro, e a família se al egrava com os presentes natalinos, a mãe falou em nome de todos eles: Muito obrigada , ela disse com simplicidade, e então acrescentou: Espere .

A mulher correu a caminho de casa e logo voltou com uma a colcha de retalhos nos braços. Era um trabalho lindo, todo feito à mão. O desenho da parte de cima era a estrela de Belém. Olhei para os pinheiros altos à nossa volta, pois minha voz estava embargada e não conseguia falar. Era Natal de verdade.

Desde então, nas noites de Natal eu me cubro com a colcha da estrela de Belém, e na lembrança, vou até o estábulo e sinto outra vez o cheiro das palhas de milho, e o espírito do Natal habita em mim novamente.

(Marguerite Nixon - Sword of the Lord) - Amigão do Pastor - Dezembro 2006

Free JavaScripts provided by The JavaScript Source

 

voltar para o índice